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  • Foto do escritorYatra

Uma grande via de mão dupla

Em momentos de reflexão, porque não se perguntar o que de fato é essa palavra tão usada, a SUSTENTABILIDADE, que ganhou força nos últimos anos e carrega com ela uma série de mitos e verdades que, para nosso próprio bem, é de muito interesse saber discernir.


As associações são muitas. “Sustentabilidade é reciclar o lixo”. “É ser ecológico”, “é preservar a natureza” e por aí seguimos com uma série de afirmações rasas. Por que será que temos a mania de dificultar as coisas? Se pensarmos de forma clara e sem julgamentos partiremos da ideia de simplesmente olhar para uma palavra – e isso serve para qualquer coisa que nos cerca – e tentar entender, na sua essência, o que ela significa – ou como ela se sustenta; eis a dica!





Se entendermos a sustentabilidade como a literal tradução de sustentar algo podemos chegar ao conceito de equilíbrio, e no caso da sustentabilidade ambiental, a grande e atual necessidade do nosso planeta, esse equilíbrio se baseia em conceitos de dar e receber: retiramos da natureza materiais e energia e, nessa via de mão dupla, devolvemos à ela o retorno dos produtos e dos resíduos resultantes da utilização dessa energia e materiais. É simples, mas infelizmente, do jeito que a humanidade vem devolvendo, não é justo.


O maior mito quanto a esse assunto é interpretar essa troca de forma grandiosa. Sim, é grandiosa e de muito valor, porém está ao alcance de todos. Não precisamos ser gestores de grandes organizações para implementar operações sustentáveis em equipes, ou ainda, não precisamos ser ativistas na Amazônia. Se pensarmos em troca justa, conceba a ideia de a natureza produzir um recurso (limitado) como o petróleo; dele a indústria faz o plástico que envolve o picolé que compramos. Se depois de consumirmos esse picolé nos dermos o simples trabalho de descartar a sua embalagem de forma consciente e correta o equilíbrio que sustenta a saúde do ambiente que vivemos começa a acontecer.


Não é grande, não é complexo. É a forma mais simples e pura de respeito. Algo que deveria ser tão óbvio que não geraria nenhuma discussão ou má interpretação. Parte-se do princípio do coletivo, de entender que somos um grande ecossistema, totalmente interligado uns com os outros e que dependem de nós, assim como dependemos dos demais. É pensar constantemente na troca, em ser gentil para receber essa gentileza de volta, afinal a Terra já passou por cinco extinções em massa, se um dia, a (nem tão) longo prazo (assim), houver um colapso os extintos seremos nós, Ela continuará lá, transmutando. É duro, mas pense nisso.


E para não colapsarmos todos juntos, neste momento, o mais importante é saber algumas questões básicas, praticá-las e disseminá-las pela comunidade, começando pelas nossas famílias, que são as pessoas que mais amamos, mas que as vezes têm uma dificuldade imensa de entender o porquê é tão importante levar a sua própria sacola de pano no mercado, ao invés de usar as vinte sacolinhas plásticas disponibilizadas pelas redes. Para iniciar essa jornada aí vão algumas ações interessantes e abordagens que não são tão bem entendidas pela sociedade.


“Viver no ritmo sustentável é caro.” Já ouvimos muito esse dilema e ser sustentável não está atrelado em termos todos os produtos orgânicos na geladeira e os diversos cosméticos naturais no banheiro, ou até mesmo comprarmos um carro elétrico. Muito pelo contrário, significa consumir menos, aproveitar o que já temos disponível nos nossos lares, isso vai ajudar inclusive você a poupar recurso. Esse mesmo mito faz cair por terra o “Ser sustentável vai me fazer diminuir meu padrão de vida”, muito pelo contrário, o segredo está em saber que a sustentabilidade não pede uma vida menos confortável e sim inicia uma reflexão sobre o consumo excessivo o que resulta na consciência de que não é preciso deixar de viver bem, mas mudar o conceito do que é uma vida boa.


“Somos muitos e o planeta não está dando conta”. Sim, somos muitos bilhões abitando o mesmo território e isso impacta diretamente em um colapso ambiental, mas como já dissemos aqui, há saída, e a educação é a principal delas – a primeira, pois diminuir a população é inviável, quando sabe-se que as estimativas são de mais de 9 bilhões de pessoas em 2050. Hoje já consumimos mais recursos naturais do que a capacidade de reposição do planeta, mas o importante mesmo é o hábito de consumo da sociedade e não seu número em si. Basta olharmos para as potências China e Estados Unidos, onde o primeiro tem cerca de 1 bilhão de habitantes a mais que o segundo mas as suas (China) emissões de gases per capita correspondem a apenas 30% das dos Estados Unidos.


Nessa grandiosidade de bilhões de habitantes e milhões pessoas em concentração é fácil dizer “Eu sou um só, não vai fazer diferença” – e essa é a maior inverdade de todas. Vamos cair no clichê de que sim podemos fazer a diferença, olhe ao seu redor, quantas pessoas você pode e consegue influenciar; quantas ferramentas de comunicação disponibilizamos para implementar uma ideia; quanto acesso temos a informações relevantes que possam nos embasar com bons argumentos. Todos fazemos parte de uma comunidade, vamos começar por aí, ensinando, abordando. Essa voz tem força e se usada com sabedoria o retorno dessa via de mão dupla vai ser mais leve e agradável.

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